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Cena de "Corumbiara", filme que foi o grande vencedor do Festival de Gramado em 2009
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O forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico chega, este ano, à sua 13ª edição com a Mostra Cineastas Africanos – África Subsaariana, a Retrospectiva de Autor Brasileiro dedicada ao cineasta Ozualdo Candeias. Haverá, ainda, uma Sessão Especial Cineclube Mostra Subterrâneos, com filmes de autores diversos, desde o polonês Jerzy Skolimowski ao brasileiro João Silveiro Trevisan, entre várias outras atividades.
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O forumdoc.bh.2009 tem início no dia 19 de novembro e segue até dia 29 do mesmo mês, no Cine Humberto Mauro no Palácio das Artes, sempre com entrada gratuita. A abertura oficial do festival será às 19h30, com o longa-metragem Corumbiara (2009), de Vincent Carelli, que comentará o filme após a sessão. Premiado no Festival de Gramado este ano com cinco kikitos, a obra retrata o massacre da civilização indígena ocorrida em Corumbiara, no ano de 1985, e revisto 20 anos depois pelo documentarista. “O filme é muito impactante e narra a ocupação brutal de uma área indígena. Traz, pela primeira vez, a história do massacre do ponto de vista dos índios. É um documentário investigativo que busca evitar que o fato, tão pouco conhecido e esquecido pelas autoridades, caia na penumbra”, destaca o professor de Ruben Caixeta, professor da Faculdade de Antropologia da UFMG.
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Ao todo nessa edição serão exibidos mais de 90 filmes. Completam a programação a Mostra competitiva nacional, com 14 filmes selecionados de várias partes do Brasil, e a Mostra competitiva internacional, com 12 filmes de países como Portugal, Argentina, França, Bélgica, China, Israel, entre outros. Os filmes selecionados concorrerão ao prêmio de melhor documentário do festival. O júri da Competitiva Nacional será formado por Andrea Tonacci, Luciana França e Mateus Araújo; Amaranta Cesar, João Dumans e Marco Antônio Gonçalves completam o júri da Competitiva Internacional.
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A programação conta ainda com as mesas redondas A África Negra e Seus Cineastas e O Cinema de Ozualdo Candeias. Haverá também o lançamento da Revista Devires e do projeto Imagem-Corpo-Verdade: trânsito de saberes maxakali.
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Mostra Cineastas Africanos
Foto: Georges Braches/Divulgação
Ao todo, serão exibidos na Mostra Cineastas Africanos 19 filmes realizados por autores nascidos na região subsaariana norte. Seu foco volta-se para a exibição de produções fundamentais na história do cinema africano autoral, desde a década de 1950 até os dias atuais. Ao senegalês Ousmane Sembène, primeiro africano a filmar na África, será dedicada uma retrospectiva com quatro de seus principais trabalhos: Camp de Thiaroye, La Noire De..., Ceddo e Xala. Nesses filmes, Sembène aciona uma escrita ou reescrita da história, articulando contextos políticos a questões como o racismo e a segregação social. Méd Hondo é outro autor que, assim como Sembène, apresenta um forte viés político, voltado para as questões do colonialismo. Em seu filme Soleil Ô, ele retrata as desventuras de um negro que, ao desembarcar em Paris, se choca com a indiferença e o racismo dos franceses. >
Cineastas mais jovens marcam seu lugar na crítica pós-colonial. Esse é o caso de Abderrahmane Sissako que, em seu longa Bamako, de 2006, retrata os habitantes de um subúrbio na capital do Mali julgando as instituições financeiras internacionais, em tribunal instalado no quintal de uma casa familiar. Em seu outro filme presente na mostra, Vida Sobre a Terra, de caráter ensaístico, ele aborda sua trajetória pessoal de migração e deslocamento, partilhada com textos do poeta antilhano Aimé Cesaire.
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Em filmes como Os olhos azuis de Yonta (1992), Morte Negada (1988) e Yeelen (1987), Flora Gomes, da Guiné-Bissau, subverte, nas línguas crioulo e português, as imagens dos filmes pré-colonialistas que, ao denunciarem a miséria e opressão no continente africano, construíram um imaginário fatalista e negativo. Flora, ao contrário, sem deixar de esmiuçar os conflitos do Continente, filma a "África que ri".
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Numa perspectiva etnográfica, também serão exibidas obras de realizadores que mantiveram relações de formação, trabalho ou amizade com o antropólogo e cineasta francês Jean Rouch. Cabascabo, dirigido por Oumarou Ganda, personagem narrador de Moi Un Noir, o grande clássico de Rouch, aborda em seu filme a participação de soldados negros na guerra da Indonésia. Safi Feye, autora de Lettre Paysanne, foi atriz de Petit a Petit, outra produção do cineasta francês.
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Haverá, ainda, o lendário Touki Bouki, rodado por Djbril Diop Mambety em 1975, no Senegal, e marcado por sua linguagem autoral; o filme Visages de Femmes, de Desiré Ecaré, que levou mais de dez anos para ser concluído e foca o cotidiano das mulheres na Costa do Marfim; de Mustapha Alassane, será exibido o “western”, Le retour d'un adventurier, que dialoga com a cultura tradicional de uma aldeia no Níger e cujos bastidores foram registrados pelo documentário Les Cow-boys Noirs, de Serge-Henri Moati, que também será exibido.
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Desde o primeiro curta-metragem Afrique Sur Seine, produzido, em 1955, por estudantes liderados pelo senegalês Paulin Vieyra, até filmes mais recentes de Sissako, entre muitas outras produções, os espectadores conhecerão uma África vista por dentro, a partir dos testemunhos de realizadores nascidos no próprio Continente.
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Para debater sobre a raridade dessas imagens, o forumdoc.bh.2009 organizou a mesa redonda A África e seus cineastas, que acontecerá no dia 23/11 (segunda-feira), às 21h, no Cine Humberto Mauro. Contará com a presença de Idrissa Quedraogo, realizador do filme Yabaa, que será exibido antes da mesa. Além dele, também debaterão o antropólogo congolês Kabengele Munanga, diretor do Centro de Estudos Africanos da USP; Mahomed Bamba, da Costa do Marfim, doutor em Cinema e Estética do Audiovisual e professor pela UFBA. Amaranta César, doutora em Cinema e Audiovisual pela Universidade Paris III, participará da sessão comentada O Cinema de Abderrahmane Sissako.
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Mostra Ozualdo Candeias
No clássico ensaio Cinema: trajetória no subdesenvolvimento, Paulo Emílio Salles Gomes mostra que as mais destacadas produções cinematográficas nacionais foram aquelas concebidas com baixíssimo orçamento, precário apoio estatal e severa censura policial. Da chanchada ao cinema novo, do cinema marginal ao cinema experimental: a criatividade inesgotável de grandes autores brasileiros sempre transformou as dificuldades financeiras e técnicas em paliativo para a concepção de filmes inovadores, marcados por uma riquíssima “estética da pobreza”. Dentre tais autores “pobres”, sobressai-se um em especial: Ozualdo Candeias, que terá quase toda a obra exibida no forumdoc.bh.2009. Esse ex-motorista paulistano, que abandonou a boleia do caminhão para filmar, em 1955, seu primeiro curta Tambaú – Cidade dos Milagres, que também estará na Mostra, foi certamente o autor brasileiro que mais transpôs para as telas a brutalidade estética da miséria material e existencial. Seus filmes não tratam sobre a pobreza, no sentido naturalista do termo, mas concebem uma linguagem pobre, em que a aparência tosca e precária da fotografia, do som e da montagem constitui o elemento mais belo, justamente, por preservar a sua feiúra genuína.>
“Apresentamos uma mostra ampla e um retrato diverso do Candeias, que permita uma leitura mais completa do cineasta, sua obra e trajetória, com um marco temporal grande, com filmes diferenciados, principalmente a faceta documental que é pouco conhecida”, destaca Ewerton Belico, que organizou a Mostra juntamente com Paulo Maia e Patrícia Mourão.
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Os espectadores terão a oportunidade de ver obras raras como A Margem, de 1967, o primeiro longa-metragem de Candeias, que inaugurou o chamado cinema marginal, movimento dos anos 70, integrado por freqüentadores da Boca do Lixo, antigo baixo meretrício da capital paulista, antro de prostitutas, cafetões e cineastas. Júlio Bressane, João Silveiro Trevisan, Rogério Sganzerla, Neville d’Almeida e Carlos Reichenbach são alguns dos nomes associados a essa tendência cinematográfica eclodida com o filme de Candeias.
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Também serão exibidos outros vários longas-metragens como A Herança (1971), Meu nome é Tonho (1969), Manelão, o caçador de orelhas; raríssimos curtas-metragens e documentários como Polícia Feminina (1960) e Bocadolixocinema ou Festa na Boca (1976); médias-metragens como Zézero (1974) e Candinho (1976); além de vídeos mais recentes como Bastidores da Filmagem de um Pornô (anos 90). Ao todo, a Mostra apresenta 18 filmes do realizador, abarcando todas as fases de incansável cineasta brasileiro, que superou todas as dificuldades para produzir uma obra riquíssima.
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Para debater sobre o seu legado, haverá, no dia 28/11 (sábado), às 21 horas, mesa-redonda O Cinema de Ozualdo Candeias, com a presença de Jean-Claude Bernardet, Arthur Autran e mediação de Ewerton Belico.
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Mostra Subterrâneos
Pensando no poder do cinema em estabelecer uma relação ativa com a história, o forumdoc.bh.2009 apresenta a Mostra Subterrâneos, composta por quatro produções de nacionalidades e temáticas distintas. Em todas, o cinema atua como perpetuador da memória coletiva e assume o papel de pensar e influenciar a história. Compõem a sessão os filmes Alemanha no Outono (1978), direção coletiva, que retrata e discute a crise política que se sucedeu no país após a morte na prisão de líderes de um grupo de extrema-esquerda e de um líder empresarial durante o outono de 1977; S-21, A Máquina de Morte do Khmer Vermelho (2003), dirigido por Rithy Panh, em que o realizador faz uma viagem ao passado de terror no Camboja junto com dois sobreviventes até a famosa prisão S-21, tornada museu do genocídio; a produção polonesa Moonlighting (1982), de Jerzy Skolimowski, que narra a história de um grupo de operários levados até Londres como mão de obra barata no mesmo momento em que a ditadura polonesa declara estado de sítio; e Orgia ou O Homem Que Deu Cria (1970), do brasileiro João Silvério Trevisan, road movie surrealista que traz a saga de um playboy que, após assassinar o pai, sai pelo mundo para encontrar estranhas figuras. A mostra tem a curadoria de Affonso Uchôa, Mauricio Rezende e Theo Duarte, coordenadores do projeto Cineclube Subterrâneos, que exibe em sessões semanais filmes raros e de difícil acesso na sede da Associação Filmes de Quintal.>
Lançamentos: livros, filmes e mostra fotográfica
Foto: Divulgação
O forumdoc.bh.2009 promove ainda, no dia 26/11 (quinta-feira), às 21 horas, o lançamento do projeto Imagem-Corpo-Verdade: trânsito de saberes maxakali, realizado pela Associação Filmes de Quintal, em parceria com a UFMG, sob coordenação da etnomusicóloga e professora da faculdade de música Rosângela Tugny, e com as ONG’s Vídeo nas Aldeias e Instituto Catitu. O projeto é composto pelos livros Mõgmõka Yõg Kutex xi Ãgtux (Cantos e Histórias do Gavião-espírito) e Yãmĩyxop Xũnĩm Yõg Kutex xi Ãgtux xi Hemex Yõg Kutex (Cantos e Histórias do Morcego-espírito e do Hemex), que apresentam de 124 a 144 cantos em versão bilíngüe do repertório dos povos-espíritos, bem como um conjunto de cantos, narrativas míticas e até expressões que permaneceram sem tradução, junto com DVDs com mais de 6 horas de imagens de cantos gravados durante cerimônias rituais.>
“É a primeira vez que se publica no Brasil um repertório inteiro de ritual indígena, sem cortes”, destaca Rafael Barros, que fez a coordenação de produção do projeto pela Associação Filmes de Quintal. Além dos livros, co-editados pela editora Azougue e a Filmes de Quintal, também faz parte do projeto o livro fotográfico Koxuk Xop (Imagem), resultado de uma oficina de fotografias realizada com mulheres da Aldeia Verde, que traz o olhar feminino sobre rituais proibidos para as mulheres dentro da sociedade maxakali. Será publicado pela Azougue, em parceria com a Filmes de Quintal. Uma seleção de imagens do livro compõe uma mostra fotográfica nas vitrines do Cine Humberto Mauro. Por fim, haverá o lançamento dos documentários Caçando Capivara (2009) e Acordar do Dia (2009), frutos de oficinas para formação de jovens das aldeias. Índios maxacali participantes do projeto estarão presentes durante as atividades dos lançamentos. O projeto Imagem-Corpo-Verdade: trânsito de saberes maxakali circulará em escolas da rede pública de cidades no entorno dos aldeamentos onde foi realizado.
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Ainda no forumdoc.bh.2009, no dia 27/11, às 19 horas, será lançado o volume 6 da Revista Devires, que traz o dossiê dedicado a Jean Rouch. A revista é uma publicação conjunta dos programas de pós-graduação em Comunicação e em Antropologia da FAFICH-UFMG.
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O forumdoc.bh
Realizado na capital mineira desde 1997 pela Associação Filmes de Quintal em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o forumdoc.bh é considerado o mais antigo festival de cinema em Minas Gerais com suas treze edições consecutivas, integrando o circuito consolidado das mostras de cinema e vídeo do Brasil. O forumdoc.bh é um dos mais importantes festivais nacionais dedicados à produção de filmes documentários, sendo um evento que, além das mostras audiovisuais, proporciona um momento de reflexão das produções com a participação de realizadores em fórum de debates, sessões comentadas e oficinas para o público interessado em filme documentário e em antropologia.
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A 13° edição do forumdoc.bh conta com patrocínio do Programa Cemig Cultural, do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Belo Horizonte, através dos mecanismos de incentivo à cultura Federal e Municipal, e da Capes; tem, ainda, o apoio do Fundo Nacional de Cultura da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e do Fundo Estadual de Cultura da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais.
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Serviços:
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Abertura oficial do forumdoc.bh.2009 – 13º Festival do Filme Documentário e Etnográfico/Fórum de Antropologia, Cinema e Vídeo, com sessão comentada pelo autor do filme Corumbiara (2009), de Vincent Carelli
Data e horário: dia 19/11 (quinta-feira), às 20h
Local: Cine Humberto Mauro - Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, Centro)
Após a sessão: apresentação do Coral Agbára – Vozes d’África nos jardins do Palácio das Artes
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forumdoc.bh.2009 – 13º Festival do Filme Documentário e Etnográfico/ Fórum de Antropologia, Cinema e Vídeo
Data: de 19 de novembro a 29 de novembro
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, Centro)
Informações: (31) 3889-1997 e www.forumdoc.org.br
E clique aqui para baixar o catálogo do forumdoc.bh.2009, que contem textos de especialistas, entrevistas e mais informações sobre convidados, participantes e realizadores que estão na programação deste ano do festival.
Assessoria de Imprensa:
BEBOP Comunicação & Cultura
(31) 3224-1251 e bebop@bebopcomunicacao.com









